top of page

Descobrindo a fé no Ceará

Quando se pensa em religião e fé, para cada pessoa é diferente

A fé é tão particular quanto é a vida de cada indivíduo. É subjetiva, cada pessoa lida de uma forma. Há aqueles que não possuem fé em nada, há aqueles que têm fé por conta própria em algo maior e aqueles que possuem fé em um ser (ou seres) divinos, que a racionalidade humana não explica.

Na jornada de perguntar a diferentes pessoas sobre sua fé, encontramos diversas relações com a espiritualidade. Na estrada para Canindé, temos aqueles que pagam promessas ao caminhar quilômetros até o santo dos pobres, o São Francisco de Assis. No centro de Fortaleza, encontramos uma senhora que pela força de sua orixá luta por espaço para expressar sua religião sem sentir medo da reação da sociedade. 

A fé transforma a vida das pessoas, seja pela cura de uma doença ou pela forma de vivência no mundo. Cada religião expressa uma crença que nos faz pertencer à sociedade de forma singular, nem sempre em harmonia, nem sempre em concordância, mas é fato que cada um utiliza de sua crença para viver do jeito que acredita.

A fé não é só a crença de uma pessoa, a fé é política, a fé gera pertencimento com uma comunidade, com uma terra, com a vida. A fé move milhares de pessoas por quilômetros em busca de uma cura, de uma resposta. A fé gera manifestações culturais que conectam as pessoas com seus ancestrais. A fé traz respostas que a ciência muitas vezes não consegue responder. E é nesse compilado de sensações que a fé nos traz a diferentes manifestações religiosas, cada uma com sua particularidade, mas que promovem  a união entre os seus devotos. 

Três caminhos

Id visual (8).png

Na jornada de produção dos trabalhos para a disciplina de Laboratório em Jornalismo II, encontramos diferentes perspectivas para a expressão da fé e religiosidade no estado do Ceará. Traçamos os três principais eixos que a religião transpassa quando falamos sobre a fé do cearense: O turismo religioso, a intolerância e a cultura e tradição. Não tem como falar de fé no Ceará e não lembrar das romarias que atraem milhares de fiéis para as cidades de Canindé e Juazeiro do Norte, gerando o turismo e movimentação nas cidades do interior. Quem conhece a cidade de Fortaleza conhece a Av. 13 de Maio e a imaculada Igreja de Nossa Senhora de Fátima com uma grande estátua da santa na avenida que foi batizada com o seu dia de celebração. Todo dia 13, além de unir centenas de devotos, também reúnem-se vendedores que a partir da crença comercializam itens de adoração à santa e outras figuras católicas. 

Falando nisso, itens religiosos fazem parte das mais variadas religiões, e a venda desses objetos cria uma movimentação financeira que alimenta famílias católicas, evangélicas e umbandistas. Esses itens são encontrados em templos, terreiros, na prateleira do quarto, na sala de estar de casa e por aí vai... 

Em centros de umbanda, por exemplo, a mistura de santos católicos com entidades do candomblé mostra a identidade da religião, que tem como base o cristianismo, o candomblé e o espiritismo. Uma estátua de Iemanjá de um lado e a de Padre Cícero do outro, essa é a expressão da religião afro-brasileira e da fé de muitos cearenses.

Mãe de santo com altar repleto de santos e orixás em Fortaleza

A espiritualidade atravessa não só a manifestação com estátuas e bíblias, ela também faz parte de algo que a gente não vê. Com a ajuda de benzedeiras, pessoas dos mais diferentes lugares vão em busca de renovação espiritual, para tirar o mau olhado ou em busca de uma cura. Com rezas, água benta e folhas de ramos, as rezadeiras fazem seu papel de renovar espiritualmente aqueles que as procuram, e não tem hora nem lugar, ou valor monetário, o importante é receber a benção para se livrar de espíritos ruins da alma.

Essa expressão faz parte da cultura e tradição da fé no Ceará. Você já ouviu falar da Menina Benigna? A mártir Maria de Bil ou da mártir Francisca? Essas são três mulheres cearenses que faleceram vítimas de feminicídio, porém pela força da fé das pessoas e a ocorrência de milagres em seus nomes, transformaram o que seria a história de três mulheres violentadas em mártires e símbolos de esperança para a população das cidades em que viviam.

Identidade

A fé não fica guardada apenas na alma ou no coração, ela também se apresenta no corpo, nas vestes e nos acessórios de quem a tem como um referencial de vida. Em um catálogo de moda especialmente elaborado para a disciplina, trouxemos pessoas do islamismo, cristianismo, indígena e umbandistas que falam da importância do vestir-se a partir da fé, uma expressão que gera identidade e pertencimento.

imagens verticais.png
2252535902_4445dc8dcb_k.jpg

Não

hegemônicas

Mas e quando as religiões mais populares ou hegemônicas não fazem parte da vida de algumas pessoas? Ou as afastam? Ao fazer essas perguntas, nos deparamos com outras realidades de fé, aquelas que poucas pessoas conhecem ou que já não fazem mais parte. Em uma websérie de 3 episódios, fomos até o centro religioso Vale do Amanhecer, em Fortaleza. Lá, encontramos um jeito diferente de Igreja, onde os devotos são chamados de pacientes e encontram naquele espaço a vivência da sua espiritualidade distante das religiões hegemônicas.

Também conhecemos um pouco mais da religião Wicca e seus praticantes, que a partir de rituais e regras, procuram pelo seu espaço para a manifestação de espiritualidade. Finalizamos o eixo de cultura e religião abordando pessoas que não se vêem em mais nenhuma doutrina, "os desigrejados", que são aqueles que faziam parte de alguma instituição religiosa, mas que a partir de motivos e vivências dentro desses lugares acabaram afastando-se da religião que pregavam. Entendemos como os preconceitos e a rigorosidade do tradicionalismo religioso muitas vezes afasta aqueles que possuem fé.

Diversidade

O último eixo abordado pela nossa disciplina acompanha a intolerância que a religião muitas vezes propaga. A fé é política ao ser utilizada para endossar comportamentos negativos na sociedade, e ela também é política quando se mostra como ferramenta de resistência para lutar contra instituições hierarquizadas na sociedade.

Pensamos na importância da figura feminina nas religiões populares e trouxemos histórias de mulheres que através de sua atuação enfrentam o machismo estrutural dentro da própria hierarquia religiosa, atingindo posições de liderança na comunidade da qual fazem parte. Também trazemos no nosso especial a definição de transe mediúnico, e como a sociedade e a medicina demoraram anos para entender que a incorporação de espíritos não é um diagnóstico de loucura, mas uma forma de comunicação a partir da espiritualidade que a ciência e a razão, muitas vezes, não conseguem explicar.

Por fim, conversamos com aqueles que as religiões não querem por perto: gays, travestis, pessoas trans. A comunidade LGBTQIA+ no geral sempre sofreu exclusão religiosa, principalmente por parte do cristianismo, mas encontramos pessoas que acreditam em Jesus Cristo apesar da “igreja” os afastar. Por meio da união pela fé, construíram comunidades seguras para as pessoas que a Igreja insiste em querer longe, trazendo um olhar de esperança e fraternidade, que no fim, é o que qualquer religião ou crença acredita: no melhor das pessoas e do mundo.

28473341140_729a5dfb5b_k.jpg

A move o Ceará.
E o Ceará move a .

Prof(a) Naiana Rodrigues .jpg

A equipe que se moveu pela

Turma 2023.2

Sob a orientação da professora Naiana Rodrigues, 28 alunos produziram 10 produtos nos mais diferentes formatos em busca de entender a expressão da fé e da religiosidade no Ceará

brasao2_vertical_monocromatico_72dpi.png
Ativo 1mdpi_edited.png
assinatura-visual-vertical-com-fundo-tra

©2023 por fé no ceará. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page